Uma doença degenerativa, raramente é perceptível. A doença da Sandra foi assim. Veio silenciosamente, há cerca de 3 anos, trazendo uma limitação a mais em seu equilíbrio. O lado esquerdo foi o que começou a dar os primeiros sinais de desequilíbrio físico. No início, achou-se que era algo relacionado a visão monocular o que poderia estar gerando essas reações no corpo. Mas não era.

Ilustração: Sandra de Sena
Antes de continuarmos o texto, precisaremos compreender os sinais que a vida nos dá. Quando uma doença surge no corpo físico de alguém, ela tem um propósito. A visão da maioria das pessoas está relacionada ao “medo” da morte, e que infelizmente “ofusca o olhar” desse propósito e de todo o aprendizado que ela vem trazer. E se agíssemos ao contrário? Se olhássemos para a situação como um aprendizado a mais em nosso caminho, onde todos os envolvidos são capacitados a crescerem como seres humanos, passando de um estado mental de negociação com Deus, relacionado a cura da saúde física, para um outro estado de consciência, onde se assume com compreensão e responsabilidade o que lhe foi dado, para um aprendizado maior, agradecendo a oportunidade?
Esta é a compreensão da Sandra sobre a situação que está vivenciando. A doença não é ela. Ela é um espírito que habita um corpo adoecido e que busca entendê-lo, vivendo as mudanças de maneira consciente, aceitando as situações diárias, que nem sempre são fáceis, mas possíveis de lidar. É um olhar de quem entende de onde veio, mas que também compreende o físico que a reveste, com o qual cumpre uma vida disciplinada que sustentou sua trajetória de vida até aqui.
No ano de 2019, sua irmã Sarah, em visita familiar de fim de ano, examinou a íris da Sandra através de um procedimento chamado iridologia, e observou que havia algo diferente na glândula hipófise da irmã. Nesta época os primeiros sintomas do desequilíbrio físico e motor já eram visíveis.
O ano foi passando e a correria da rotina diária não lhe deixou opções na busca de auxílio médico neste sentido.
Em suas férias de janeiro de 2020, na consulta habitual feita com seu oftalmologista, em Joinville, o médico percebeu através de um exame que algo não estava certo e sugeriu procurar um neurologista para uma avaliação.
Este exame que Sandra fez com o oftalmologista provocou dores fortes no globo ocular, deixando-a muito desestabilizada.
Após este exame, no mesmo dia, voltou com sua mãe para Canoinhas. Viajaram de ônibus em silêncio, tentando recuperar seu equilíbrio físico e mental. A partir daí só aumentou na Sandra a sua necessidade de estar em lugares com poucas pessoas. Não que a sua paciência estava se esgotando, mas a própria doença já ia mostrando que energias deveriam ser poupadas.
(continua no próximo texto)
Escrito por: Adriana Bueno de Oliveira

…espero que cada texto partilhado, traga luz e compreensão a todos que assim desejarem!
Abraços!
É uma caminhada que muitos trilham.