OLHAR ALÉM – PARTE 6

Ilustração: Sandra de Sena
Texto: Adriana Bueno de Oliveira

Julho de 2021. A vacinação para o povo brasileiro veio aos poucos,
começando no mês de março. Mas aqui para nós demorou um pouco
mais, e a Sandra tomou a sua primeira dose no dia 3 de julho.
A quarta e definitiva médica agora era de uma cidade grande, Curitiba, o
que já sinalizava que a doença da Sandra não era coisa pouca e que
precisaria de muita investigação.
Nesse período a Sandra já estava afastada da empresa em que trabalhava.
Foi uma batalha também a questão do agendamento de perícia e do
receber pelo INSS o auxílio doença. Além da questão da sua saúde, havia
todo este outro lado que a preocupava, nem tanto por ela, mas por seus
pais, pois ela sabia do quanto a sua renda ajudava nas despesas da casa.
Mas com a graça de Deus agindo em suas vidas, tudo foi dando certo e se
ajeitando, e as pessoas certas foram sendo colocadas em nossos
caminhos.
Curitiba passou a ser, então, a cidade que mais íamos. A primeira viagem
foi feita no dia 23 de julho. Sandra e eu fomos de ônibus e chegando lá
seu tio/padrinho nos esperava na rodoviária, levando-nos em seguida para
sua casa, onde almoçamos e nos encontramos com a tia/madrinha, dona
Neusa. Em seguida eles nos levaram até o consultório médico, onde
aguardamos pelo atendimento.
A espera não demorou, mas foi cheia de esperança. Conhecemos então a
Dra. Marina, uma pessoa acolhedora, dedicada e muito humana. Ela
conversou conosco e foi tendo em mãos os exames que levávamos,
analisando-os minuciosamente, como quem sabe que tem muita coisa
escondida e que precisa ser encontrada, ao mesmo tempo que também ia
fazendo suas anotações. Examinou a Sandra fisicamente, fez-lhe mais
perguntas referente aos seus hábitos do dia a dia e foi anotando os
exames que ela precisaria que fossem feitos. Uma dose extra de vitaminas
foi sugerida, as quais seriam injetadas através de injeções que se dariam
em três semanas consecutivas. Uma esperança encheu-nos de bom
ânimo, pois era possível, segundo a médica, que uma deficiência de vitaminas pudesse estar contribuindo um bom tanto para aquele quadro
clínico. Ela não descartou a questão da Ataxia Cerebelar e pensou até na
ação em conjunto com o Parkinson, mas para avaliar melhor, muitos
exames foram prescritos para serem feitos o quanto antes. Saímos da
consulta, que durou quase duas horas, e fomos de taxi direto para a
rodoviária, aguardando nosso ônibus de volta para Canoinhas.
A viagem foi tranquila e cheia de conversa, pois muitas coisas surgiram a
partir daquela consulta e a boa impressão que a médica nos causou nos
deixou bem confiantes, principalmente a Sandra, que sentiu muita
segurança em tudo o que a médica foi dizendo, e em especial para ela não
desistir do tratamento, confiar nela e fazer o que ela pedia. E assim foi
acontecendo ao longo de cada consulta, prescrições médicas, exames e
medicações. Mas nesta primeira consulta nada de remédios foi prescrito,
apenas os exames mesmo, o que mostrou a responsabilidade e sensatez
da médica com seus pacientes, pois como o caso da Sandra era bem
delicado, qualquer medicação poderia alterar o quadro de maneira mais
negativa ainda.
Chegando em Canoinhas, a maratona de exames começou, e agora de
forma mais intensa e com prazo para fazermos o quanto antes. Nesse
meio tempo, entre o retorno da consulta, havia também a questão das
perícias no INSS, que teriam quer ser agendada e feitas. Graças a Deus que
esta parte a ACD cuidava, marcando o agendamento com o INSS.
Passávamos por um frio intenso aqui em Canoinhas, o que exigia um
cuidado ainda maior por causa das gripes e da pandemia, por isso, toda
vez que saíamos o cuidado redobrava.
A perícia presencial da Sandra se deu em uma dessas manhãs frias,
marcada pela neblina na estrada durante a nossa viagem até a cidade
vizinha de União da Vitória, onde seu pedido de afastamento do trabalho
foi concedido pelo INSS. Assim, mais uma etapa conseguimos vencer.
(Continua no próximo texto)

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