Olhar Além – Parte 5

Texto Adriana Bueno de Oliveira

Estamos agora em 2021 e janeiro era o mês das férias da Sandra. Veio,
porém, ainda com a questão forte sobre a pandemia e muitas restrições
vigoravam fortemente, assim como o medo de contrair o vírus. Sandra
não viajou para as consultas e exames médicos, como fazia nos anos
anteriores, pois além de ter se sobrecarregado no ano de 2020, ela tinha
receio de ela e seus pais contraírem a doença. Apenas receberam visitas
de familiares de Joinville e alguns amigos.
Mas a Sandra sentia que algo não estava bem dentro dela, mais
precisamente dentro de sua cabeça. “Eu sei que tem algo ruim aqui
dentro”, dizia ela, mas ela não queria nem saber o que era e foi
postergando o quanto pode a sua ida a um neurologista.
Os amigos da ACD, do trabalho e nós, os familiares, insistíamos de forma
muito cautelosa, sabendo chegar nela e conversar sobre o assunto para
que ela aceitasse começar um tratamento, pois era visível que ela dia a dia
estava mais debilitada em seus movimentos motores.
Maio, então, foi o mês que a Sandra aceitou ir a uma consulta com um
neurologista aqui de Canoinhas. Eis o diagnóstico dado após verificar um
exame pedido: Labirintite! Medicou ela e em poucos dias ela foi se
sentindo “esquisita”, até que não teve um dia que não conseguiu levantar
da cama, pois tudo girava ao seu redor. E assim foram muitos dias, e para
quem nunca viu a Sandra de cama foi uma sensação muito ruim e
estranha, que sinalizava que algo não estava dando certo com aquele
laudo médico e com a medicação aplicada. Porém, confiamos no
profissional e esperamos um certo tempo até a medicação “fazer efeito”,
conforme o mesmo disse. Mas aconteceu que percebíamos que algo não
estava certo e, mesmo voltando uma segunda vez na clínica e não
sentindo segurança no que o doutor falava, resolvemos procurar outro
profissional e levar os exames que tínhamos em mãos para uma segunda
avaliação.

Arte: Sandra de Sena

Três Barras é a cidade vizinha aqui de Canoinhas e foi para lá que fomos
consultar também com um neurologista. O atendimento se deu no
hospital da cidade e, diga-se de passagem, fomos muito bem recebidos e
atendidos pelo profissional que lá nos esperava, acolhendo-nos de forma muito humana.

Ficamos um bom tempo lá, e além de serem feitos alguns
exames físicos na Sandra, o médico também conversou muito conosco,
sendo bem sincero em dizer o que ele suspeitava que era, e que não tinha
nada a ver com o laudo dado anteriormente. O que se tratava ali era um
possível caso de “Ataxia Cerebelar”, que ele percebeu na marcha da
Sandra, no exame que fez tocando e observando suas costas e sobretudo
no exame feito que ela levou. Com toda a humildade ele reconheceu que
não era um caso que ele poderia tratar, pois poderia envolver uma
possível cirurgia. Assim, ele encaminhou a Sandra para um outro
profissional da mesma área, mas com especialidade em cirurgia, sendo
agora uma médica, a qual atendia aqui em Canoinhas.
Localizada a clínica que a médica em questão atendia, fomos e marcamos
a terceira consulta. Tivemos a “graça/sorte” de estarmos diante de uma
outra grande profissional, a qual soube também avaliar o exame levado e
também o físico da Sandra, analisando também todo o quadro do começo
de tudo que a Sandra foi relatando. Assim, também de forma muito
humilde e responsável, a médica pediu autorização para a Sandra para
conversar com uma outra médica, que era sua amiga, para trocarem
informações sobre o caso dela, se era possível envolver uma cirurgia ou
não. Como estávamos nas mãos da medicina, foi concordado, e assim uma
quarta e definitiva médica entra nessa história.
(Continua no próximo texto)

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